Se seu marketing precisa passar por três comitês para aprovar um post, o problema não é a criatividade, é a burocracia.
Você já viveu isso? Vivemos na pele esta semana. Precisávamos de um simples relatório de vendas para calibrar uma campanha. A resposta do cliente veio com um “mas e a LGPD?”. Parecia estarmos solicitando a senha do banco.
Explicamos que o dado não era sensível, estava protegido por contrato e enquadrado no legítimo interesse previsto pela lei. Mesmo assim, o fluxo travou. Resultado: campanha no ar dois dias depois do ideal e dois dias de oportunidade perdidos.
LGPD é vital, mas virou espantalho para toda decisão. A própria ANPD reconhece que o risco real está no vazamento, não no dashboard interno. Ainda assim, 60 % das empresas revisam contratos três vezes antes de liberar qualquer arquivo.
Enquanto isso, criatividade sofre. Um estudo WARC/ANA mostra que 33 % dos profissionais de marketing admitem déficit criativo porque “a cultura não deixa”. Não é falta de talento; é excesso de carimbo.
Onde as empresas escorregam:
✖︎ Três ou mais níveis de aprovação: depois do segundo carimbo, o custo do atraso supera o risco jurídico.
✖︎ Checklist LGPD fora do briefing: guias recentes mostram que relatórios agregados dificilmente configuram alto risco.
✖︎ Agência como “fazedora de posts”: em vez de parceira estratégica, vira operadora de datas comemorativas porque não recebe insumos para pensar além do óbvio.
Como destravar resultados:
✔︎ Planeje pesado, aprove leve: defina os limites legais já na largada; o jurídico vira aliado, não barreira.
✔︎ Limite o fluxo a duas assinaturas: direção e Compliance (quando necessário). Ponto final.
✔︎ Compartilhe dados com transparência: anonimizados, agrupados e cobertos por contrato. Simples, seguro e rápido.
✔︎ Especialize a agência no seu negócio: quando a equipe entende sua operação, ela cria soluções, não só artes.
Marketing deve ser leve na forma e sério na postura.